Nota: Eu deletei o post anterior (o Desabafo Master) por duas razões: 1ª Porque, depois de pensar bem, eu não estava tão brava quanto parecia, era mais um descarrego de tudo, com toda a raiva centrada naquele momento. 2ª As pessoas que falaram comigo já pediram desculpas e eu já as desculpei, então não tinha motivo daquele post ainda existir, já que o momento havia passado. Ah, e obrigada (sim, obrigada!) as pessoas anônimas que comentaram naquele post porque, apesar de eu não gostar que comentem anônimo, foram críticas boas e que no mesmo dia em que eu fiz o post, já havia pensado.
Atenção: Não existe mais a página onde eu postava as histórias! Agora eu "modernizei" tudo e então você pode acompanhá-la direitinho pelo link ao lado onde está escrito: The Truth!
Aleluia saiu! Eu não tenho como pedir desculpas pelo tempo que fiquei sem atualizar a história. Prometo que isso não vai acontencer de novo! Espero que vocês curtam esse capítulo do jeito que eu curti. See ya!
Nota: Esse capítulo é meio enrolado para entender. Então, leia com cuidado senão você se perde!
Capítulo Quatro
4h 13 am
- Suzannah! Suzannah! – gritava o anjo. – Eu te falei não foi! Porque você fez isso Suzannah? Por quê?
- O que foi que eu fiz? – eu não entendia. O que havia feito de errado afinal?
- Esqueceu a verdade Suzannah. Deixou que ela fosse embora. Eu te pedi para lutar, para não esquecer!
- Mas eu não sei do que você está falando! – a expressão do anjo me deixava desesperada. Porque ele estava tão bravo comigo. Aquele rosto tão bonito estava com a feição errada. Eu o conhecia afinal. Só não sabia de onde.
- Olhe Suzannah, olhe o que você fez! – gritou o anjo. E em um piscar de olhos, a paisagem escura a minha volta foi substituída por outra.
Um campo de concentração. Pessoas andando em fila. Soldados. Um homem com uma expressão sombria carregava um carrinho. Um carrinho lotado de roupas de criança. Uma menina parou na minha frente. Devia ter no máximo quatro anos. Mesmo suja de terra era linda. Ela me olhou com olhos suplicantes e continuou a seguir a fila. Parou poucos metros depois. Virou-se para mim novamente. Uma lágrima escorreu pela sua face. Um gesto de adeus. Uma soldada que segurava uma arma postou-se na sua frente e levantou a cabeça. A soldada era eu. E então, o tiro foi dado.
Acordei gritando e me deparei com o escuro. Estava sentada em algum lugar macio. Uma cama talvez. Não tive tempo para pensar. Precisava correr. Precisava salvar a menina. Pulei, batendo os pés no chão frio. Corri para a porta e escancarei-a. Olhei para o corredor vazio na minha frente e corri para a direita. Não sabia onde estava indo, mas não podia ficar parada. Tinha que salvá-la, antes que fosse tarde demais.
Meus pés protestavam. Ao que parecia, fazia um certo tempo que eles não eram usados. Não me importei. Uma saída. Aleluia. Corri mais rápido. Faltavam poucos metros. Segurei a maçaneta e abri a porta. Um barulho alto e eu estava no chão. Olhei para cima, para ver o que havia acontecido e vi o que me acertou. Eu sorria, enquanto segurava uma arma.
Acordei sobressaltada. Olhei em volta, tentando me localizar. Uma mulher, sentada em uma poltrona, sorria hesitante para mim. Eu a conhecia. Era Lílian o seu nome. Mas não me lembrava de tê-la visto alguma vez.
- Suzie querida! – disse Lílian com alívio. – Que bom que acordou. Eu e seu pai achamos que você não iria mais levantar.
Sentei-me e olhei em volta. Estava em um quarto. E que belo quarto era aquele. Havia uma escrivaninha de mogno, uma penteadeira antiga e a cama onde me encontrava era grande e tinha um dossel. As paredes estavam pintadas em um tom de creme, tirando a parede que ficava atrás da cama, que estava pintada de lilás. Era lindo, muito bonito. Algo em minha cabeça me disse que aquele era o meu quarto.
- Bem, não fique aí o dia todo querida. Venha, vamos tomar café. Seu pai já está esperando. –disse Lílian, oferecendo-me a mão.
Desci a escada, ainda confusa. De algum modo, sabia que aquela era a minha casa, mas tudo parecia estranho. Não me lembrava de um único objeto sequer, mas de alguma maneira, meu cérebro sabia que ele estava ali. Decidi que não me incomodaria com isso naquele momento. Eu estava com fome de qualquer maneira. Chegando à cozinha, recebi um bom dia de um homem do qual não me lembrava de ter visto, porém sabia que se chamava Kurt e que era meu pai. Decididamente eu estava esquisita naquela manhã. Mas ambos estavam sendo tão gentis comigo, que tranquei minhas dúvidas em uma gaveta e joguei a chave fora.
Comi mais do que podia agüentar. No final do café, minha barriga protestava. Eu comera tudo o que me ofereceram, como se não comesse comida decente há dias. Papai e mamãe, como decidi que os chamaria, aprovaram meu furor.
- Agora só falta uma coisa. – disse mamãe. – Não me esqueci do suco de mirtilo que você me pediu.
Ela me estendeu um copo que continha um líquido azul. Mirtilo, ela dissera. Segurei o copo, agradecendo. Meu cérebro queria que eu tomasse o suco. Era como se ele achasse que fosse vital para mim. Encostei o copo nos lábios. Nesse momento, uma parte remota da minha cabeça se mexeu, dizendo para eu não beber. Era uma parte pequena, distante. Eu não lhe dei ouvidos. Já tinha dúvidas demais para um dia. Entornei o copo, bebendo todo o conteúdo. Era doce demais, mas mesmo assim agradeci à minha mãe. Afinal, ela disse que eu pedira. E, de acordo com o meu cérebro, eu deveria ser boa com Lílian e Kurt.
O resto da semana passou tranquilamente. Aos poucos, eu começara a me familiarizar com a casa e com isso, as dúvidas foram indo embora. Todo o dia, era a mesma rotina. Incluindo o suco de mirtilo. Mesmo quando eu realmente não queria, mamãe insistia para que eu tomasse. E assim eu fazia. Naquela manhã, ela me pediu que ligasse para uma senhora chamada Honoria, que de acordo com ela, era nossa vizinha. Como não sabia o telefone, fui consultar a lista telefônica. Passado algum tempo, encontrei o número. Quando a linha estava chamando, olhei distraidamente para o nome que estava abaixo do de Honoria. Hospital Sendridge.
Imagens invadiram a minha cabeça com tanta força que eu arfei. Tudo voltara. O hospital, o doutor Reynolds, o corredor, Agatha, o líquido azul, os lábios de Valerie se abrindo em um sorriso, o anjo e a garota. Uma lágrima escorreu pelos meus olhos. Meu cérebro estava em polvorosa. Nada mais fazia sentido. A verdade era, eu estava com medo. Morrendo de medo.
- Alô. – uma voz disse pelo telefone que agora estava no chão. – Alô? – disse a voz novamente. - Num átimo, coloquei o telefone no gancho.
- Suzie querida, já ligou para Honoria? – perguntou Lílian do andar de cima. De repente, soube o que deveria fazer. Dirigi-me silenciosamente para a porta de entrada, abri-a e sai. E então, saí correndo, não me importando para onde, sabendo apenas que tinha que sair de perto da casa, de Lílian e Kurt, das lembranças, de tudo. Nunca iria acabar não é mesmo?
domingo, 15 de maio de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
5 Coisas...
Fala aí povo brasileiro que gosta de açaí!! *muitofail
Soooo, faz um certo (muuuito) tempo que eu não posto! Reclame com a minha escola! Eu literalmente não tenho tempo para nada! Acabei de passar por uma fase de provas (ninguém, eu repito ninguém, merece passar por isso) e agora, é "só" lição e trabalho. Hoje eu ia para a academia para livrar a minha mente da culpa de não ter conseguido ir esse ano ainda (graças a minha linda escola que deve me achar superdotada), mas infelizmente eu fiquei minha tarde inteira fazendo o que??? LIÇÃO! FUUUUUUUUUUUU
E eu, ingenuamente, tinha feito um acordo com uma amiga minha de que iríamos pegar mais leve esse ano, para ano que vem, estarmos com o pique todo para o vestibular... hahaha Tá dando móóóinto certo....
Mas enfim gente, como não vai dar para postar a continuação de The Truth - aliás, vocês ainda querem continuar lendo a história? comentem para eu saber se vai realmente valer a pena eu postar ou não- hoje e eu sinceramente não sei quando, mas se um dia eu tiver uma fresta/momento eu posto, decidi falar rapidinho sobre 5 coisas que vocês não sabem sobre mim!
So let's go:
1- Eu morro, repito, morro de medo de aranhas! Eu literalmente tenho um treco quando vejo uma. Mas ultimamente tenho aprendido a controlar minha raiva...
2- Cortei o cabelo (que quase sempre foi grande) curtííííssimo, muito parecido/igual ao da P!nk!
3- Eu durmo no escuro total! No maior breu. Mas qualquer barulho, eu me assusto... fail, eu sei.
4- Eu sou meio/totalmente esquisita no sentido de ser quem eu sou, como eu quero. Ainda me preocupo muito com o que os outros dizem, mas estou melhorando. Estou mais orgulhosa de mim (como todos sempre deveriam ser).
E finalmente:
5- Eu amo dançar e cantar. Então, todo dia arrumo um tempo, nem que seja 10 minutos, pra pular feito uma retardada pelo meu quarto! Faço mesmo! Tira o stress!
Então por hoje é só! That's all folks! Agora eu quero saber de vocês!!! Comentem me falando algo que eu não sei! Tell me something I don't know!hehehe Se cuidem!
Bites and Kisses
Soooo, faz um certo (muuuito) tempo que eu não posto! Reclame com a minha escola! Eu literalmente não tenho tempo para nada! Acabei de passar por uma fase de provas (ninguém, eu repito ninguém, merece passar por isso) e agora, é "só" lição e trabalho. Hoje eu ia para a academia para livrar a minha mente da culpa de não ter conseguido ir esse ano ainda (graças a minha linda escola que deve me achar superdotada), mas infelizmente eu fiquei minha tarde inteira fazendo o que??? LIÇÃO! FUUUUUUUUUUUU
E eu, ingenuamente, tinha feito um acordo com uma amiga minha de que iríamos pegar mais leve esse ano, para ano que vem, estarmos com o pique todo para o vestibular... hahaha Tá dando móóóinto certo....
Mas enfim gente, como não vai dar para postar a continuação de The Truth - aliás, vocês ainda querem continuar lendo a história? comentem para eu saber se vai realmente valer a pena eu postar ou não- hoje e eu sinceramente não sei quando, mas se um dia eu tiver uma fresta/momento eu posto, decidi falar rapidinho sobre 5 coisas que vocês não sabem sobre mim!
So let's go:
1- Eu morro, repito, morro de medo de aranhas! Eu literalmente tenho um treco quando vejo uma. Mas ultimamente tenho aprendido a controlar minha raiva...
2- Cortei o cabelo (que quase sempre foi grande) curtííííssimo, muito parecido/igual ao da P!nk!
3- Eu durmo no escuro total! No maior breu. Mas qualquer barulho, eu me assusto... fail, eu sei.
4- Eu sou meio/totalmente esquisita no sentido de ser quem eu sou, como eu quero. Ainda me preocupo muito com o que os outros dizem, mas estou melhorando. Estou mais orgulhosa de mim (como todos sempre deveriam ser).
E finalmente:
5- Eu amo dançar e cantar. Então, todo dia arrumo um tempo, nem que seja 10 minutos, pra pular feito uma retardada pelo meu quarto! Faço mesmo! Tira o stress!
Então por hoje é só! That's all folks! Agora eu quero saber de vocês!!! Comentem me falando algo que eu não sei! Tell me something I don't know!hehehe Se cuidem!
Bites and Kisses
sexta-feira, 1 de abril de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
Sigam as Aranhas!
"Sigam as aranhas... Porque não: Sigam as borboletas?"
Eu te entendo Rony! Eu te entendo!
P.S: 100 Seguidores!!! UOU!
Valeu povo! Tô mais feliz que filho de barbeiro em quermesse! LOL
Eu te entendo Rony! Eu te entendo!
P.S: 100 Seguidores!!! UOU!
Valeu povo! Tô mais feliz que filho de barbeiro em quermesse! LOL
domingo, 13 de março de 2011
5 minutos pelo Japão!
Primeiramente, tem muita gente me mandando e-mail perguntando quando sairá a continuação de The Truth! A resposta é: Sei lá! Infelizmente eu edtou lotada/abarrotada/nãoaguentomais de lição/provas/simulados/enfim... e isso está me impossibilitando de continuar a história. Apesar de tê-la pronta no fundo da minha cabeça, esta (a minha cabeça) está tããão cheia de coisa que aposto que daqui a alguns dias vai explodir. Então, basicamente, quando eu conseguir respirar realmente, eu posto a continuação!
Agora, o mais importante: Todos sabemos da catástrofe que ocorreu no Japão (espero eu! se você não está sabendo, faça um favor a si mesmo e just google it!) e, apesar de não termos sentido nada, as pessoas de lá e familiares destas sentiram. Então eu peço apenas uma coisa: Vamos rezar. Não importa sua religião, se você acredita em Deus ou não. Nem eu e provavelmente nem os japoneses ligam. O importante é que você tire 5, 2 minutos do seu dia e apenas peça. Se você não sabe o que falar, apenas fique em silêncio. O Japão necessita de toda a energia positiva que conseguirmos mandar!!
Força Japão! Aguenta firme! そこに留まっていてください (não sei se está certo!)
Bites and Kisses
Agora, o mais importante: Todos sabemos da catástrofe que ocorreu no Japão (espero eu! se você não está sabendo, faça um favor a si mesmo e just google it!) e, apesar de não termos sentido nada, as pessoas de lá e familiares destas sentiram. Então eu peço apenas uma coisa: Vamos rezar. Não importa sua religião, se você acredita em Deus ou não. Nem eu e provavelmente nem os japoneses ligam. O importante é que você tire 5, 2 minutos do seu dia e apenas peça. Se você não sabe o que falar, apenas fique em silêncio. O Japão necessita de toda a energia positiva que conseguirmos mandar!!
Força Japão! Aguenta firme! そこに留まっていてください (não sei se está certo!)
Bites and Kisses
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
The Truth : Suas memórias não estão mais seguras.
Aviso: Esse será o último capítulo que eu irei postar solto no blog, no meio de outras postagens. A partir de agora, toda a história estará em uma página separada, que você pode acessar olhando para cima, do lado de onde está escrito "A Autora". Estando em uma página separada, não dará para comentar então please, deixa um recado falando sobre o que você achou do último capítulo na minha Cbox. Lembrando que essa medida é temporária. Vamos ver como será. Apenas não deixem de me falar o que estão achando. Afinal, isso é o que me faz continuar. Ah, a foto é por causa de uma frase dita neste capítulo. Enjoy.
Capítulo Três
- Sente-se. – foi a frase que me recebeu. E eu, obedientemente, sentei. Não havia a menor chance de não colaborar com o que quer que fosse. Nesse ponto, eu estava totalmente perdida.
- E então querida, como estamos passando hoje hein? – disse uma mulher, sentada atrás de uma grande bancada. Ela era alta, loira, com cabelos ondulados que pareciam brilhar. Tinha olhos azuis e um grande sorriso, que se mostrava convidativo, porém não chegava aos olhos. Estranho como todos aqui eram bonitos. Olhar para as pessoas daqui estava se transformando em um baita golpe na auto-estima. Ouch.
- Hum, bem eu acho... – respondi, deixando escapar a primeira frase que me veio à cabeça.
- Bom, não era para menos. – disse a mulher, arrumando-se melhor na cadeira. – Afinal, seu acidente foi realmente grave não é mesmo?
- Bem, pra falar a verdade, eu não sei. Todos se recusam a me dizer. Talvez você possa me falar. – disse, com ênfase no “você”.
- Primeiro vamos ao seu exame. Há muitas pessoas lá fora, no corredor, esperando para serem atendidas. E não queremos nos demorar. – disse ela, se levantando e indo em direção a um gabinete. Só agora eu reparava na sala. Era grande, porém mal iluminada. Pesadas cortinas de veludo cor de vinho não deixavam passar um raio de sol. Por algum motivo, aquilo me inquietava. Era quase claustrofóbico. A mesa em que a mulher estava sentada era grande e estava lotada de papéis. Combinada com a cadeira de couro preta onde estava sentada parecia a sala de um executivo. Daqueles realmente ricos. À direita, havia um gabinete grande e preto, de onde a mulher retirou um frasco com um líquido azul. E a esquerda, uma máquina, que deveria ser para o exame. Espere um momento. Líquido azul?
- Mas porque está tão séria? - disse ela,vendo que eu estava inspecionando o lugar. Essa frase não era do Coringa? - Bem querida, não fique parada aí. Sente-se na máquina. Fique a vontade. – disse ela, gesticulando para a monstruosidade a minha esquerda. Não me lembro de ter visto alguma vez uma máquina tão grande. Pelo menos, não para fazer radiografias.
Fui me dirigindo para a máquina, onde me sentei e me acomodei. Enquanto isso, toda a minha conversa com o homem delirante do corredor passava pela minha cabeça. Líquido azul. Não tomar. Certo. Não é? A verdade é que estava em um dilema. Em que acreditar? Ou melhor, em quem? Em Agatha e no louco do corredor, ou... bom, ou no resto das pessoas,que me chamavam de querida e que, pelo o que vi, viviam sorrindo. Meu cérebro estava dividido em duas partes. Na parte boazinha, que me dizia para acreditar em todos menos na Agatha e no louco do corredor, que eu deveria ser prestativa e que deveria colaborar. E na parte má, que mandava a boazinha calar a boca.
- Esse líquido faz parte do exame e você terá que tomá-lo Suzannah. – disse a mulher. Peraí, como ela sabia meu nome? O lado mal entrou em polvorosa.
- Co- como a senhora sabe meu nome? – perguntei, antes que pudesse conter as palavras.
- Ah querida, não precisa me chamar de senhora. Sou a Dra. Hotchkins. Mas pode me chamar de Valerie. – disse, sorrindo. Por um minuto, quase acreditei naquele sorriso. Quase.
- Valerie. Certo. Hum... Valerie, como sabe meu nome? – perguntei, sem jeito. A verdade é que eu estava tentando ganhar tempo. Tentando decidir se escolhia o lado bom ou o lado ruim do meu cérebro. O lado ruim estava ganhando de lavada.
- Enquanto estava em coma, fui sua médica querida. Fui eu quem cuidou de você, ministrou seus remédios, verificou seus sinais vitais. Basicamente, eu sou grande parte da razão de você estar aqui hoje. – Valerie sorriu. Não gostava daquele sorriso. Tinha algo de perturbador. Ou talvez, eu estava ficando paranóica. Como o homem do corredor.
- Obrigada... eu acho... – murmurei. Talvez eu estivesse ficando mesmo paranóica. Talvez eu estivesse completamente enganada e todos aqui estavam querendo me ajudar. Talvez, estivesse me preocupando a toa, enquanto deveria tentar colaborar ao máximo. Talvez, Lílian e Kourt fossem meus pais e eu tivesse sofrido um grave acidente. “É e talvez Elvis não tenha morrido” falou o lado mal do meu cérebro. Droga, eu não conseguia chegar a uma conclusão. Meu cérebro parecia um ringue de boxe.
- Não há o que agradecer querida. – disse Valerie, obviamente sorrindo. – Agora, vamos começar o seu exame não é? Primeiro, beba o líquido. Ele é um corante que irá nos ajudar a ver melhor os resultados da sua radiação. É como uma anestesia geral. Você dormirá durante o exame e acordará no quarto. Tudo muito simples.
E agora, o que fazer? Minha cabeça estava a mil, ambos os lados gritando suas opiniões para mim. “Corra!”. “Não, fique e faça o exame!”. “Não beba esse troço!” “Beba!”. “Essa mulher é má!”. “Ela só está ajudando. Ela te trouxe de volta do coma!”. Ai. Logo, logo, teria uma enxaqueca. Das grandes.
- Vamos querida. – disse Valerie. – Quanto menos demorarmos, mais rápido será o exame e mais rápido poderemos tirar você do hospital. – ela me estendeu o frasco, o líquido azul brilhando dentro dele.
Ah Meu Deus, o que eu fazia? Não poderia sair correndo, me pegariam facilmente. Também não poderia gritar por ajuda, pois ninguém me ajudaria. Na verdade, eu provavelmente ganharia um sossega leão e uma hora na ala psiquiátrica. Também não queria tomar o líquido. O que aconteceria comigo? De repente, me dei conta. Não sabia o que aconteceria comigo, mas com certeza não poderia ser pior do que ficar em coma. Para quem ficou 4 meses, tomar um treco azul era fichinha. Talvez eu me transformasse em um Smurf no final.
- Suzannah querida, ande logo. –disse Valerie, já impaciente. – É apenas uma radiografia querida. Tudo isso é apenas para o seu bem, para te ajudar. Façamos assim: Faça o exame e quando você acordar prometo que responderei pessoalmente todas as suas perguntas. Não negarei respostas. Mas tome o corante. Não se preocupe, é tão rápido que não dá para reparar. Será como se não tivesse acontecido. – ela me estendeu o frasco novamente, dessa vez decidida.
E o que eu poderia fazer? Dar um tapa na cara dela? Sair correndo? Não no meu estado de recém saída do coma. Seria infantil e muita burrice tentar. Nesse momento, eu não tinha chance a não ser colaborar.
Então, engoli meus medos e meus piores temores, tranquei o lado mal do meu cérebro em uma gaveta e joguei a chave fora, respirei fundo e peguei o frasco. Olhei para o líquido azul brilhante enquanto repetia mentalmente: “Será como se não tivesse acontecido, será como se não tivesse acontecido...”. O lado ruim do meu cérebro, agora em quarentena até tentou se manifestar, mas eu não dei ouvidos. Encostei o frasco nos lábios e olhei para Valerie. Ela me olhava ansiosamente. E então, sem pensar em mais nada e ávida por calar as vozes em minha cabeça, entornei o vidro. O líquido desceu pela minha garganta, minha visão ficando instantaneamente turva. E então, afundei em meu subconsciente.
A última coisa de que me lembro é dos lábios de Valerie abrindo-se em um sorriso.
Capítulo Três
- Sente-se. – foi a frase que me recebeu. E eu, obedientemente, sentei. Não havia a menor chance de não colaborar com o que quer que fosse. Nesse ponto, eu estava totalmente perdida.
- E então querida, como estamos passando hoje hein? – disse uma mulher, sentada atrás de uma grande bancada. Ela era alta, loira, com cabelos ondulados que pareciam brilhar. Tinha olhos azuis e um grande sorriso, que se mostrava convidativo, porém não chegava aos olhos. Estranho como todos aqui eram bonitos. Olhar para as pessoas daqui estava se transformando em um baita golpe na auto-estima. Ouch.
- Hum, bem eu acho... – respondi, deixando escapar a primeira frase que me veio à cabeça.
- Bom, não era para menos. – disse a mulher, arrumando-se melhor na cadeira. – Afinal, seu acidente foi realmente grave não é mesmo?
- Bem, pra falar a verdade, eu não sei. Todos se recusam a me dizer. Talvez você possa me falar. – disse, com ênfase no “você”.
- Primeiro vamos ao seu exame. Há muitas pessoas lá fora, no corredor, esperando para serem atendidas. E não queremos nos demorar. – disse ela, se levantando e indo em direção a um gabinete. Só agora eu reparava na sala. Era grande, porém mal iluminada. Pesadas cortinas de veludo cor de vinho não deixavam passar um raio de sol. Por algum motivo, aquilo me inquietava. Era quase claustrofóbico. A mesa em que a mulher estava sentada era grande e estava lotada de papéis. Combinada com a cadeira de couro preta onde estava sentada parecia a sala de um executivo. Daqueles realmente ricos. À direita, havia um gabinete grande e preto, de onde a mulher retirou um frasco com um líquido azul. E a esquerda, uma máquina, que deveria ser para o exame. Espere um momento. Líquido azul?
- Mas porque está tão séria? - disse ela,vendo que eu estava inspecionando o lugar. Essa frase não era do Coringa? - Bem querida, não fique parada aí. Sente-se na máquina. Fique a vontade. – disse ela, gesticulando para a monstruosidade a minha esquerda. Não me lembro de ter visto alguma vez uma máquina tão grande. Pelo menos, não para fazer radiografias.
Fui me dirigindo para a máquina, onde me sentei e me acomodei. Enquanto isso, toda a minha conversa com o homem delirante do corredor passava pela minha cabeça. Líquido azul. Não tomar. Certo. Não é? A verdade é que estava em um dilema. Em que acreditar? Ou melhor, em quem? Em Agatha e no louco do corredor, ou... bom, ou no resto das pessoas,que me chamavam de querida e que, pelo o que vi, viviam sorrindo. Meu cérebro estava dividido em duas partes. Na parte boazinha, que me dizia para acreditar em todos menos na Agatha e no louco do corredor, que eu deveria ser prestativa e que deveria colaborar. E na parte má, que mandava a boazinha calar a boca.
- Esse líquido faz parte do exame e você terá que tomá-lo Suzannah. – disse a mulher. Peraí, como ela sabia meu nome? O lado mal entrou em polvorosa.
- Co- como a senhora sabe meu nome? – perguntei, antes que pudesse conter as palavras.
- Ah querida, não precisa me chamar de senhora. Sou a Dra. Hotchkins. Mas pode me chamar de Valerie. – disse, sorrindo. Por um minuto, quase acreditei naquele sorriso. Quase.
- Valerie. Certo. Hum... Valerie, como sabe meu nome? – perguntei, sem jeito. A verdade é que eu estava tentando ganhar tempo. Tentando decidir se escolhia o lado bom ou o lado ruim do meu cérebro. O lado ruim estava ganhando de lavada.
- Enquanto estava em coma, fui sua médica querida. Fui eu quem cuidou de você, ministrou seus remédios, verificou seus sinais vitais. Basicamente, eu sou grande parte da razão de você estar aqui hoje. – Valerie sorriu. Não gostava daquele sorriso. Tinha algo de perturbador. Ou talvez, eu estava ficando paranóica. Como o homem do corredor.
- Obrigada... eu acho... – murmurei. Talvez eu estivesse ficando mesmo paranóica. Talvez eu estivesse completamente enganada e todos aqui estavam querendo me ajudar. Talvez, estivesse me preocupando a toa, enquanto deveria tentar colaborar ao máximo. Talvez, Lílian e Kourt fossem meus pais e eu tivesse sofrido um grave acidente. “É e talvez Elvis não tenha morrido” falou o lado mal do meu cérebro. Droga, eu não conseguia chegar a uma conclusão. Meu cérebro parecia um ringue de boxe.
- Não há o que agradecer querida. – disse Valerie, obviamente sorrindo. – Agora, vamos começar o seu exame não é? Primeiro, beba o líquido. Ele é um corante que irá nos ajudar a ver melhor os resultados da sua radiação. É como uma anestesia geral. Você dormirá durante o exame e acordará no quarto. Tudo muito simples.
E agora, o que fazer? Minha cabeça estava a mil, ambos os lados gritando suas opiniões para mim. “Corra!”. “Não, fique e faça o exame!”. “Não beba esse troço!” “Beba!”. “Essa mulher é má!”. “Ela só está ajudando. Ela te trouxe de volta do coma!”. Ai. Logo, logo, teria uma enxaqueca. Das grandes.
- Vamos querida. – disse Valerie. – Quanto menos demorarmos, mais rápido será o exame e mais rápido poderemos tirar você do hospital. – ela me estendeu o frasco, o líquido azul brilhando dentro dele.
Ah Meu Deus, o que eu fazia? Não poderia sair correndo, me pegariam facilmente. Também não poderia gritar por ajuda, pois ninguém me ajudaria. Na verdade, eu provavelmente ganharia um sossega leão e uma hora na ala psiquiátrica. Também não queria tomar o líquido. O que aconteceria comigo? De repente, me dei conta. Não sabia o que aconteceria comigo, mas com certeza não poderia ser pior do que ficar em coma. Para quem ficou 4 meses, tomar um treco azul era fichinha. Talvez eu me transformasse em um Smurf no final.
- Suzannah querida, ande logo. –disse Valerie, já impaciente. – É apenas uma radiografia querida. Tudo isso é apenas para o seu bem, para te ajudar. Façamos assim: Faça o exame e quando você acordar prometo que responderei pessoalmente todas as suas perguntas. Não negarei respostas. Mas tome o corante. Não se preocupe, é tão rápido que não dá para reparar. Será como se não tivesse acontecido. – ela me estendeu o frasco novamente, dessa vez decidida.
E o que eu poderia fazer? Dar um tapa na cara dela? Sair correndo? Não no meu estado de recém saída do coma. Seria infantil e muita burrice tentar. Nesse momento, eu não tinha chance a não ser colaborar.
Então, engoli meus medos e meus piores temores, tranquei o lado mal do meu cérebro em uma gaveta e joguei a chave fora, respirei fundo e peguei o frasco. Olhei para o líquido azul brilhante enquanto repetia mentalmente: “Será como se não tivesse acontecido, será como se não tivesse acontecido...”. O lado ruim do meu cérebro, agora em quarentena até tentou se manifestar, mas eu não dei ouvidos. Encostei o frasco nos lábios e olhei para Valerie. Ela me olhava ansiosamente. E então, sem pensar em mais nada e ávida por calar as vozes em minha cabeça, entornei o vidro. O líquido desceu pela minha garganta, minha visão ficando instantaneamente turva. E então, afundei em meu subconsciente.
A última coisa de que me lembro é dos lábios de Valerie abrindo-se em um sorriso.
Assinar:
Postagens (Atom)











