domingo, 30 de janeiro de 2011

The Truth : Suas memórias não estão mais seguras.

Aviso: Vou começar a postar os próximos capítulos apenas nos domingos todo domingo. Então, para quem tem probleminha - hehehe não entendeu, domingo é dia de história. Nos demais dias, as postagens serão normais ( ou seja,não histórias-dã!). Ah, só para esclarecer, a foto é um corredor escuro. E PLEASE, não se esqueça, leia do 1° capítulo pra cima!



Capítulo Dois

- Suzannah? Suzannah! Oh, querida você acordou! Kurt! Kurt! Venha aqui! – berrou no corredor a mulher a minha frente. Alta, magra, aparentando um 38 anos, com longos cabelos loiros e curvas de dar inveja. Pela voz, vi que a linda dona daquele corpo era Lílian.
- Quê? O que foi Lily? – disse Kourt, tentando recuperar o fôlego. Kourt, assim como Lílian, poderia ser modelo de cuecas Calvin Klein. Alto, musculoso, igualmente loiro, na casa dos 35 mais ou menos, ele era tão lindo quanto sua mulher. O tipo de casal que faria convidados de festas sentirem um forte golpe na autoconfiança só por estarem no mesmo ambiente. Gente muito Hollywood, que eu adoraria ser vista andando junto, tirando o fato de eles saberem quem eu era, mas eu nunca tê-los visto na vida.
- Bem, veja quem acordou! – disse Lílian, apontando para mim e sorrindo. – Você dormiu muito Bela Adormecida!
- Olá – disse Kourt. – É bom vê-la finalmente acordada! Como está se sentindo?
- Err... – foi só o que consegui dizer.
- Ah querida, você deve estar tão confusa. Eu entendo. Eu vou... Eu vou chamar o Dr. Reynolds! – disse Lílian por fim, saindo do quarto apressada.
- Então – disse-me Kourt. – O que acha?
- Hmm, do que exatamente? – ugh, minha voz estava tão errada! Parecia uma soprano rouca. Como se não a usasse há muito tempo.
- De tudo! – disse Kourt, gesticulando para o quarto. – De mim, de Lílian, de tudo!
- Bom... Hmm. É... Confuso. – eu estava lutando com as palavras. Mas confuso era provavelmente a melhor para descrever o que eu estava sentindo.
- Bem eu não esperaria menos do que confusão. – disse uma voz, vinda da porta. –Você ficou desacordada por muito tempo.
- Muito... Tempo? – eu falava com lentidão. Meu cérebro estava uma bagunça, todo confuso e nublado. Me perguntei se a morfina seria a culpada por essa neblina.
- Oh sim, realmente um longo tempo. Precisamente 4 meses e 7 dias. – disse o homem. Reparando agora, vi que deveria ser o tal Dr. Reynolds. Alto e esguio, mais do que se esperaria de um senhor que deveria estar na casa dos 60, Reynolds era uma figura e tanto. De jaleco branco e segurando uma prancheta, ele me examinava com olhos curiosos e atentos. Odiaria me deparar com uma figura assim em uma rua escura.
- Quatro meses! – disse espantada. – Mas o que houve comigo?
- Calma, explicarei tudo depois. – Reynolds tentava me acalmar. Quanto mais fazia isso, mais nervosa eu ficava. – Primeiro, teremos de fazer testes de rotina. Você sabe, para checar se você se recuperou.
- Me recuperei do quê? – perguntei irritada. – Mas que droga, o que houve comigo? – agora a neblina em meu cérebro estava se dissipando e eu podia mostrar exatamente o nível de raiva e indignação que estava sentindo.
- Já disse que explicarei depois! – Reynolds disse com autoridade. Algo em seus olhos me fez vacilar. Decididamente não gostava desse homem. – Agora minha querida, descanse que mandarei uma enfermeira vir te buscar para fazer os exames. - estava claro que ele se controlava agora, provavelmente para não explodir como havia feito.
- Que exames são esses? – perguntei cautelosa. Se fosse para escolher em quem nessa sala eu duvidaria, Reynolds seria disparado a primeira opção.
- Querida, sabemos que está confusa, mas deixe o Dr. Reynolds trabalhar. Ele sabe o que está fazendo e foi ele quem tem te ajudado a melhorar até agora – disse Lílian, tomando a iniciativa antes que o médico se descontrolasse mais uma vez.
- Mas... – comecei a dizer.
- “Mas” nada mocinha. Você vai é descansar até a enfermeira chegar. – no exato momento em que Kourt disse isso, uma enfermeira entrou no quarto.
- Ah, ótimo. - sorriu Reynolds, obviamente aliviado. - E, para que você não fique apreensiva de novo, te digo o que vai acontecer. - disse o doutor, me olhando com severidade nos olhos. - Você irá fazer radiografias onde terá que tomar um líquido azul, que fará com que os resultados sejam mais precisos. Agora, aos exames.
Fui levada por um corredor que parecia não ter fim. Conforme via as lâmpadas no teto passarem despercebidas, tentava por algum sentido em tudo aquilo. De repente, a enfermeira parou de empurrar a maca e me disse para levantar. Sentei, me sentindo tonta, e ela me ajudou a levantar. Assim que meus pés tocaram o chão, vacilei.
- Opa! – disse a enfermeira sorrindo. – Firme aí querida! Não queremos mais curativos não é mesmo? – porque todos me chamavam de querida o tempo todo? Estava começando a me irritar.
Apenas meneei a cabeça e comecei a andar, ainda apoiada em seus ombros. Ela me conduziu para uma sala mal iluminada e com cheiro de mofo, que me fez querer sair dali no momento em que entrei. Me segurando para não vomitar ali mesmo, ela me conduziu para uma cadeira, que se encontrava disposta ao lado de várias outras, onde pessoas que fitavam o chão ou tinham o olhar perdido estavam sentadas.
- Se precisar de qualquer coisa, é só falar com a Debby. – disse a enfermeira apontando para uma mesa vazia. – Ela deve voltar a qualquer momento. Espere aqui que outra enfermeira vai chamar seu nome. – instruiu- me. - Assim que ouvi-lo, siga o corredor e entre na segunda porta a esquerda, tá?
- Segunda à esquerda. Tá. – murmurei indiferente.
- Ótimo. – disse ela. – E querida, mais uma coisa: não preste muita atenção ao que estas pessoas disserem. São pacientes em estado pós-traumático e não se encontram em seu perfeito juízo. - com isso, deu meia volta e saiu pela porta em que entramos.
Parei então, para olhar ao redor. A sala consistia apenas em uma mesa de escritório muito bem arrumada, como se não fosse usada a tempos, um bebedouro e das infinitas cadeiras ocupadas por várias pessoas. Foi então que uma delas me chamou a atenção. Era uma senhora, velha o bastante para ser minha avó, que se sentava a duas cadeiras de distância. Ela tremia apesar de não fazer frio e segurava um terço, murmurando palavras inteligíveis. Só então eu percebi que ela tremia de medo. E então, reparei que não era apenas a senhora que se encontrava nesse estado. A maioria das pessoas estava quieta, porém nervosa, como se esperassem que algo de ruim iria acontecer a qualquer instante. “Pacientes em estado pós-traumático” dissera a enfermeira.
- Você é novata aqui? – quase morri de susto. A mulher ao meu lado falou comigo tão baixo que não tinha certeza se realmente tinha acontecido.
- Sou. – respondi, no mesmo tom baixo.
- Hmm. – disse a mulher. Reparei então que era uma senhora. Deveria ter uns 80 anos, tinha cabelos brancos como a lua e usava roupas puídas. Se passasse por mim na rua, poderia pensar que era uma sem-teto.
- Freddy Kingsley. – chamou uma voz do final do corredor. No mesmo instante, um garoto com no máximo 10 anos se levantou da cadeira e, chorando, seguiu pelo corredor. Quando ele se foi, vi o homem que estava ao seu lado suspirar com pesar.
- O que houve com ele? – perguntei a mulher ao meu lado. – Porque está chorando?
- Agatha. – limitou-se a murmurar a senhora.
-Como disse?- indaguei
- Agatha. - tornou a dizer. - Meu nome. Meu verdadeiro nome.
- O que quer dizer? – perguntei curiosa. – O que quer dizer com o seu verdadeiro nome?
- Me chamam de Aggy por aqui. Dizem que Agatha é muito grande, muito ruim de falar. Mas sempre falam isso.
- O que você quer dizer. – murmurei confusa. – Eu não estou entendendo.
- O menino que acabou de sair, Freddy. O nome dele é Frederico. Assim como todo mundo, diminuíram o nome dele também. Qual o seu verdadeiro nome? Você ainda deve se lembrar é novata pelo jeito. Eu faço um esforço enorme para lembrar o meu. Tenho que ficar repetindo constantemente para evitar esquecê-lo.
- Suzannah. Meu nome é Suzannah. E só tenho um, não me chamam de mais nada. Realmente não estou entendendo nada do que a senhora está dizendo. Por favor, explique. – pedi.
- Então você ainda não sabe? – perguntou Agatha admirada.
- Não sei o que? – retorqui.
- Deixe- me te perguntar uma coisa Suzannah: Como você veio parar aqui? Você sabe me dizer isso? Do que você se lembra antes de acordar no quarto hein? Nada, não é mesmo?! É porque não pode lembrar Suzannah. Eles apagam tudo, até o último pedaço de memória.
- Mas do que você está falando? Vo... Você é uma paciente com sintomas...
- Pós-traumáticos? É, disseram isso pra mim quando vim para cá da primeira vez. Alías, dizem isso para todos na primeira vez. – disse Agatha triste.
- Mas... Mas não é verdade. O que você disse, de não se lembrar de nada antes de acordar aqui. Eu me lembro de algo. Bom, na verdade não sei bem se é uma memória, uma lembrança. É mais como uma lembrança de um sonho. Uma voz de menino que me diz que não é real. Que é para eu me lembrar da verdade.
- Ah Meu Deus! Você é uma errata! – disse Agatha, verdadeiramente surpresa.
- Como disse? – perguntei. Ela havia me xingado ou algo do tipo? Errata era disso que ela me chamara?
- Escute Suzannah, você tem que fugir daqui! Saia correndo e não fale com ninguém!
- Mas como assim! Como vou fugir? E vou pra onde? – comecei a ficar realmente assustada. Será que eu estava falando o tempo todo com uma louca. Vai ver que eu estava numa ala psiquiátrica.
- Aggy. – chamou a voz do corredor.
- Ouça Suzannah, fuja!- disse a senhora com pressa agora. - Não deixe que a peguem!
- Aggy. – chamou a voz novamente, dessa voz um pouco mais incisiva.
- Corra Suzannah! - disse Agatha, se dirigindo ao corredor.
- Mas e a senhora? – perguntei meu tom de voz uma oitava mais alta por causa do surto de adrenalina. – Vai ficar bem?
- Vou. – disse Agatha. - Já faço parte disso há algum tempo infelizmente. E Suzannah... - disse ela, virando-se para mim agora. - Não importa o quanto te perguntem, nunca conte a eles sobre a sua memória
-Minha memória? - perguntei confusa. - Você quer dizer a frase de que me lembro? Agatha espere! – falei mais alto agora, já que ela desaparecia pelo corredor, assim como o garoto.
- Eu não falaria tão alto se fosse você. - disse um homem que se sentava perto de mim. - Só irá chamar atenção para você mesma. Não é algo que a maioria quer por aqui.
- Mas... mas aquela senhora... Agatha me mandou fugir e... eu não sei... eu estou tão... confusa. – consegui dizer finalmente. Não sei se acreditava ou não na mulher. Por enquanto, optaria por não.
- Todos estamos. - disse-me o homem. - Mas deixe eu te fazer uma pergunta...
- Suzie. - chamou a voz do corredor, interrompendo a fala do homem ao meu lado. Levei um minuto para perceber que ela chamara meu nome. Comecei a tremer.
- Já te falaram do líquido azul? – perguntou- me o homem.
- Sim, acho que sim. - disse, me levantando da cadeira mesmo que morta de medo. Não queria que a voz me chamasse de novo, como havia feito com Agatha. - Disseram que eu teria que tomar para fazer a radiografia.
- Hahahahahahahaha... - o homem ao meu lado começou a rir histericamente. -Radiografia! Hahahahahaha! Essa é boa! – dizia o homem, se contorcendo de tanto rir. - Líquido azul! Líquido azul!
- Suzie. – chamou a voz do corredor. Comecei a andar rapidamente, deixando para trás o homem que ainda delirava, falando do líquido azul.
“Pacientes em estado pós-traumático” lembrei-me, enquanto girava a maçaneta da segunda porta a esquerda. São apenas pacientes em estado pós-traumático.

9 comentários:

  1. Adorei! O teu jeito de escrever me lembra muito a Stephenie Meyer. Nem sei por que, mas me lembra! Haha.

    Adorando a história.

    Beijinhos

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  2. Ah, to morendo de curiosidade para saber o que vai acontecer... *--*

    Essa Agatha é de confiança? Está dizendo a verdade? E o liquido azul? Que raios é isso?

    Tantas perguntas deixou no ar...

    Esperando até o proximo domingo agora, para ler a continuação. ^^

    Adoreii!

    Beijoos;*

    Naty,
    http://livresemore.blogspot.com/

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  3. Ah, tive que ir ler o primeiro capítulo, e agora estou curiosissimo pela sequencia!

    Adorei o teu comentário no meu blog, já estou te seguindo!! :)

    Beijos!!

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  4. Giiii!! será q eu consigo comenta dessa vez?? enfim... aaah amei a história quero sabe qm são esses "pacientes" e como ée q ela vai fugir?? mtos mistérios :o domingo eu vo volta aki pra le mais ok??

    beeeijo

    Marii

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  5. *-* amiga, esta arrazando em, hauhaua. Adorei o segundo capitulo, e está muito bem bolada a história, isso nem é um "Hospital" é um negócio de loucos que querem pegar memórias dos outros, eu acho. uahuahuaha *estou confusa*. E o liquido azul? oq será? E se eu fosse a Suzanah eu sairia dali correndo na mesma hora que a agatha falou pra ela fugir. é kkkk ok chega de tantas perguntas. :B
    Enfim, o capitulo está ótimo! Parabéns. *-*
    Eu já deixei o terceiro capitulo em rascunho lá, mais só que eu tenho que acrescentar mais uma coisa, então amanhã já vai estar no ar. Eu venho avisar aqui. ;]

    Beijinhus!

    elouisegomes.blogspot.com [The door of soul]

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  6. Oii Giih,desculpa a demora pra comentar,to sem teclado :/
    Adorei o rumo que a história está seguindo,continue assim!
    beijos

    http://estou-lendo.blogspot.com

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  7. Aaaaaa que curiosidade , a cada vez eu gosto mais ainda desse blog , a história , a história é muito perfeita, é ótima , quem dera eu saber escrever assim , kkk - não tenho nem mais o que dizer , só suplico pra você não demorar muito pra postar o próximo capitulo !

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  8. Giih, capitulo novo no meu blog, olha lá , beijos !
    http://estou-lendo.blogspot.com

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  9. Oii gi, então, eu n postei esses dias porq eu to com dor de cabeça e gripe, e tipo, n da pra mim nem chegar perto do pc q fico tonta, mais agr to um pouco melhor, e quando o cap tiver la aviso, pq acho q vai demora pelo estado q to, até estou sem criatividade. :/ Beijos. ;*
    elouisegomes.blogspot.com [the door of soul]

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